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"BURNOUT" - A VIDA EM CURTO CIRCUITO

Atualizado: 24 de Ago de 2020

NÃO É DIFÍCIL ENTENDER O MEDO DO ESCURO QUE ACOMETE UMA CRIANÇA.

O TRÁGICO É O ADULTO TEMER A LUZ - PLATÃO


SÍNDROME DE BURNOUT (Desambiguação)

O QUE É, QUAIS AS CAUSAS E SINTOMAS E COMO TRATAR?

O que é Síndrome de Burnout? Traduzindo do inglês, "burn" quer dizer queima e "out" exterior.

Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional (foi assim denominada pelo psicanalista alemão Freudenberger, após constatá-la em si mesmo, no início dos anos 1970) é definida como um fenômeno psicossocial que emerge como uma resposta crônica dos estressores interpessoais ocorridos na situação de trabalho.


Constitui-se de três dimensões relacionadas, mas independentes:

1. Exaustão emocional caracterizada pela falta ou carência de energia e entusiasmo e sentimento de esgotamento de recursos. É possível a co-ocorrência de sentimentos de frustração e tensão, pois os trabalhadores podem perceber que já não têm condições de despender mais energia para o atendimento de seu cliente ou demais pessoas como faziam antes.

2. Despersonalização, situação em que o profissional passa a tratar os clientes, colegas e a organização como objetos. Os trabalhadores podem desenvolver uma insensibilidade emocional.

3. Baixa realização pessoal no trabalho, definida como a tendência do trabalhador em se auto avaliar de forma negativa. As pessoas se sentem infelizes e insatisfeitas com seu desenvolvimento profissional. Também experimentam um declínio no sentimento de competência e êxito, bem como de sua capacidade de interagir com os outros.

Enfim, é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade.

Quais são os principais sintomas da Síndrome de Burnout?

Embora relacionados, estresse e burnout não são sinônimos. O estresse é uma reação fisiológica do organismo a situações de excitação emocional - age como um "choque" que leva a pessoa a buscar a superação. Além da mente exaurida, o corpo implora por socorro. O estresse e a falta de vontade de sair da cama ou de casa, quando constantes, podem indicar o início da doença.

Já o primeiro indício da Síndrome de Burnout é a noção de estar acima dos limites! Ele ocorre quando há uma competitividade exagerada entre colegas, pois isso potencializa o estresse crônico. É o "culto" da excelência em que uma pessoa sente a necessidade de estar acima dos demais, produzindo um excesso de atividade que leva ao esgotamento físico e psíquico. Ela envolve nervosismo, sofrimentos psicológicos e problemas físicos,

como dor de barriga, cansaço excessivo, tonturas, tendência a sofrer de insônia, falta ou excesso de apetite, enxaqueca, dores musculares e redução da imunidade (um simples resfriado pode levar uma semana para ser curado).

A Síndrome de Burnout também pode acontecer quando o profissional planeja ou é pautado para objetivos de trabalho muito difíceis, situações em que a pessoa possa achar, por algum motivo, não ter capacidade suficiente para os cumprir.

Outro perfil de vulnerabilidade ocorre nos perfeccionistas. É aquele indivíduo que dedica-se ao máximo às tarefas propostas, que se sacrifica para entregar o melhor resultado possível e, muitas vezes, não recebe reconhecimento ou um mísero elogio.

"Reza uma lenda que um sapo ao ser colocado numa panela com água nada tranquilamente, mas se o fogo for aceso, ele não percebe a água esquentar e fica ali curtindo o "quentinho" até que a água ferva e ele morre cozido". Essa metáfora é associada a quem não nota a própria fadiga laboral.

Existem "gatilhos" (situações que costumam exaurir o ânimo) que podem levar o indivíduo à Síndrome de Burnout:

1. Pouca gente: tarefas acumuladas e poucas pessoas responsáveis para executá-las;

2. Falta de controle: existem muitas coisas para serem feitas, mas não há uma agenda organizada ou uma lista de prioridades;

3. Falta de recompensa: a pessoa gosta do que faz, se esmera dando o seu melhor, mas não tem reconhecimento;

4. Injustiça: sentimento que ocorre quando alguém menos capacitado recebe melhores oportunidades e promoções (o sentimento de ter sido injustiçado devido a sua capacitação muitas vezes ocorre e o julgamento do seu superior pode não ser o mesmo do seu);

5. Falta de valor: é aquele trabalhador que se vê obrigado a fazer algo em que não acredita, simplesmente para cumprir meta (como vender um seguro que nem ele compraria);

6. Perfeccionismo: as pessoas que se esforçam mais e levam o trabalho ao limite (essas, sim, correm maior risco de adquirir a Síndrome de Burnout). A principal causa da doença é quando "corpo e mente entram em chamas". Esta síndrome é comum em profissionais que atuam diariamente sob pressão e com responsabilidades constantes, como médicos, enfermeiros, professores, policiais, jornalistas, dentre outros.

Alguns dados existentes a serem levados em consideração:

1. O Conselho Federal de Medicina apontou que cerca de 23% dos médicos brasileiros padecem de algum grau da Síndrome de Burnout.

2. Já os enfermeiros também manifestam exaustão em torno de 25% e cerca de 50% pensam em mudar de profissão por se sentirem decepcionados.

3. Professores e bancários, entre outras profissões, são regularmente submetidos à situações de estresse, mas têm pouca autonomia sobre as próprias tarefas e baixo reconhecimento.

4. Os profissionais da segurança pública se queixam de falta de efetivo e 37% deles revelam exaustão emocional e 60% dizem decepcionados com o trabalho; já 40% mostram sintomas de despersonalização (em que deixam de se preocupar com o outro).

5. Inseguros e ambiciosos completam o quadro dos perfis mais vulneráveis à Síndrome de Burnout. Nos ambiciosos o excesso de confiança pode revelar "o tiro que saiu pela culatra"(pessoas que acham que sempre há espaço para produzir e competir mais e quando o sucesso não vem, a frustração torna-se as vezes insustentável).

Como o estresse laboral leva a pessoa ao esgotamento:

1. Altos níveis de estresse levam à alterações no corpo e no cérebro, desregulando a produção de hormônios essenciais ao bom funcionamento do organismo;

2. O indivíduo que está sob tensão pode ter liberação excessiva de adrenalina e cortisol (o hormônio do estresse);

3. A pessoa que se encontra numa rotina fatigante, leva o organismo a manter a liberação de cortisol em alta e, assim, aumenta a pressão arterial causando taquicardia;

4. Essas alterações anteriormente descritas provocam transtornos como insônia e redução da imunidade, o que proporciona doenças e infecções.


Essa síndrome pode resultar em estado de depressão profunda e por isso é essencial procurar apoio profissional no surgimento dos primeiros sintomas.


Os principais sinais e sintomas que podem indicar a Síndrome de Burnout são:

· Cansaço excessivo, físico e mental.

· Dor de cabeça frequente.

· Alterações no apetite.

· Insônia.

· Dificuldades de concentração.

· Sentimentos de fracasso e insegurança.

· Negatividade constante.

· Sentimentos de derrota e desesperança.

· Sentimentos de incompetência.

· Alterações repentinas de humor.

· Isolamento.

· Fadiga.

· Pressão alta.

· Dores musculares.

· Problemas gastrointestinais.

· Alteração nos batimentos cardíacos.


Normalmente esses sintomas surgem de forma leve, mas tendem a piorar com o passar dos dias. Por essa razão, muitas pessoas acham que pode ser algo passageiro. Para evitar problemas mais sérios e complicações da doença, é fundamental buscar apoio profissional assim que notar qualquer sinal, pois pode ser algo passageiro, como pode ser o início da Síndrome de Burnout.


Como é o diagnóstico da Síndrome de Burnout?

O diagnóstico da Síndrome de Burnout é feita por profissional especialista após análise clínica do paciente.


O psiquiatra e o psicólogo são os profissionais de saúde indicados para identificar o problema e orientar a melhor forma do tratamento, conforme cada caso.

Muitas pessoas não buscam ajuda médica por não saberem ou não conseguirem identificar todos os sintomas e, por muitas vezes, acabam negligenciando a situação sem saber que algo mais sério pode estar acontecendo.

Amigos próximos e familiares podem ser bons pilares no início, ajudando a pessoa a reconhecer sinais de que precisa de ajuda.

No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) está apta a oferecer, de forma integral e gratuita, todo tratamento, desde o diagnóstico até o tratamento medicamentoso. Os Centros de Atenção Psicossocial, um dos serviços que compõe a RAPS, são os locais mais indicados.

Qual é o tratamento para Síndrome de Burnout?

O tratamento da Síndrome de Burnout é feito basicamente com psicoterapia, mas também pode envolver medicamentos (antidepressivos e/ou ansiolíticos). Normalmente surte efeito entre um e três meses, mas pode perdurar por mais tempo, conforme cada caso.

Mudanças nas condições de trabalho e, principalmente, mudanças nos hábitos e estilos de vida.

A atividade física regular e os exercícios de relaxamento devem ser rotineiros, para aliviar o estresse e controlar os sintomas da doença.


Após diagnóstico médico, é fortemente recomendado que a pessoa tire férias e desenvolva atividades de lazer com pessoas próximas - amigos, familiares, cônjuges etc.


Sinais de piora: Os sinais de piora do Síndrome de Burnout surgem quando a pessoa não segue o tratamento adequado. Com isso, os sintomas se agravam e incluem perda total da motivação e distúrbios gastrointestinais.


Nos casos mais graves, a pessoa pode desenvolver uma depressão, que muitas vezes pode ser indicativo de internação para avaliação detalhada e possíveis intervenções médicas.


Como prevenir a Síndrome de Burnout?

A melhor forma de prevenir a Síndrome de Burnout são estratégicas que diminuam o estresse e a pressão no trabalho.


Condutas saudáveis evitam o desenvolvimento da doença, assim como ajudam a tratar sinais e sintomas logo no início.


As principais formas de prevenir a Síndrome de Burnout são:

· Defina pequenos objetivos na vida profissional e pessoal.

· Participe de atividades de lazer com amigos e familiares.

· Faça atividades que "fujam" à rotina diária, como passear, comer em restaurante ou ir ao cinema.

· Evite o contato com pessoas "negativas", especialmente aquelas que reclamam do trabalho ou dos outros.

· Converse com alguém de confiança sobre o que se está sentindo.

· Faça atividades físicas regulares. Pode ser academia, caminhada, corrida, bicicleta, remo, natação etc.

· Evite consumo de bebidas alcoólicas, tabaco ou outras drogas, porque só vai piorar a confusão mental.

· Não se automedique nem tome remédios sem prescrição médica.


Outra conduta muito recomendada para prevenir a Síndrome de Burnout é descansar adequadamente, com uma boa noite de sono (pelo menos 8 horas diárias).


É fundamental manter o equilíbrio entre o trabalho, lazer, família, vida social e atividades físicas.


O problema também pode ser investigado através de um teste chamado MBI (Maslasch Burnout Inventory).

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