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AFTA

Atualizado: 24 de Ago de 2020

“É GENIAL FESTEJAR O SUCESSO, MAS É MAIS IMPORTANTE APRENDER COM AS LIÇÕES DO FRACASSO” – BILL GATES

A afta ou úlcera aftosa recorrente é uma doença comum que ocorre em cerca de 25% da população, caracterizada pelo aparecimento de úlceras dolorosas na mucosa bucal, as quais podem ser múltiplas ou solitárias.




A afta costuma ser precedida por ardência e prurido, bem como pelo surgimento de uma área avermelhada. Nessa área desenvolve-se a úlcera, recoberta por uma membrana branco-amarelada e circundada por um halo vermelho. Essas lesões permanecem cerca de 10 dias e não deixam cicatriz; em geral, o período de desconforto perdura por 2-3 dias.

Atualmente são reconhecidos 3 tipos de aftas, sendo a afta vulgar ou minor a forma mais prevalente. As outras formas são mais raras, sendo uma delas a afta herpetiforme, que se apresenta sob a forma de um grande número de pequenas ulcerações superficiais arredondadas e agrupadas, que também perduram por cerca de 10 dias; a outra forma é a chamada afta major, que, como o nome indica, produz uma ferida maior (com mais de 1,0 cm de diâmetro), mais dolorida, mais difícil de se tratar e que permanece semanas ou às vezes, meses.

A afta é uma lesão ulcerada, havendo exposição do tecido conjuntivo que é rico em vasos e nervos o que provoca a dor. Além disso, o quadro pode ser agravado por infecções causadas por microorganismos do meio bucal, levando a uma herpangina provocada por um agente fuso-espiralar.

Não se pode afirmar que exista um agente etiológico; a literatura aponta uma alteração da resposta imunológica como possível causa primária em alguns pacientes e secundária em outros. Os ácidos presentes na alimentação, os pequenos traumas da mucosa, distúrbios gastrintestinais, o ciclo menstrual e o estresse agem como fatores desencadeantes.

Alguns alimentos, quando em contato com a mucosa bucal, podem desencadear uma resposta imunológica alterada em certos pacientes, o que provocaria o aparecimento da ulceração. Muitas vezes os pacientes são alérgicos, atópicos, têm afta quando ingerem certos alimentos.

A afta não se trata de uma doença infecciosa, no entanto há um traço familiar envolvido; filhos de pais portadores de afta apresentariam chances bem maiores de também sofrerem afta.

O câncer de boca, ou carcinoma epidermóide, frequentemente começa como uma lesão ulcerada; por isso, frente a uma úlcera bucal que não cicatriza dentro de 15 dias, deve o paciente procurar ter diagnóstico para a lesão. Além disso algumas doenças infecciosas como o herpes, e algumas doenças dermatológicas com ocorrência intrabucal, como o Lupus, embora tenham características próprias bem conhecidas, em certas fases de seu desenvolvimento podem parecer-se com afta, principalmente para o leigo.

Confirmado o diagnóstico, pois nem toda ferida na boca é uma afta, será preciso investigar algum fato relevante na história do paciente, assim como se houve alguma modificação importante em seu hábito de vida. Um fator muitas vezes relacionado com essa história, é o abandono do hábito de fumar; o fumo provoca um espessamento da mucosa bucal, que parece tornar-se mais resistente à penetração de agentes desencadeadores de afta. Resta saber se vale à pena correr o risco de adquirir um câncer de boca ou pulmão para se proteger da afta?

A aplicação de substâncias cáusticas sobre a afta, como o formol, destrói o tecido da região, inclusive as terminações nervosas, o que faz desaparecer a dor. Entretanto, o que se faz é substituir a afta por uma queimadura química, que causa injuria a tecidos normais, havendo ainda risco de maiores danos pela inadequada manipulação dos produtos por parte dos usuários. Tal prática não é recomendada.

Não existe tratamento que seja eficaz e de consenso para todos os portadores de afta; não existe um tratamento com monodroga! Alguns têm uma lesão aftosa uma vez por ano; outros, lesões múltiplas diuturnamente. As medicações de uso sistêmico, como os imunossupressores, são mais efetivas na redução dos sintomas, mas possuem efeitos colaterais indesejáveis, às vezes graves, sendo por isso reservadas para os casos mais severos da doença. Para os pacientes com quadros clínicos mais leves, a melhor abordagem são as aplicações tópicas de antissépticos (clorexidina), antiinflamatórios em orabase, anestésicos ou protetores de mucosa, naturais ou sintéticos. Quando existir infecção secundária usa-se antibióticos tópicos ou sistêmicos.

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