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ESOFAGITE EOSINOFÍLICA - (EEo)

Atualizado: 24 de Ago de 2020

“Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma humana” – Carl Jung



A esofagite eosinofílica (EEo), é um importante distúrbio do canal por onde engolimos (esôfago) e que é diferente da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). A EEo é uma condição inflamatória do esôfago que se caracteriza por quantidades acima do normal de eosinófilos no esôfago.

Os eosinófilos são um tipo de célula branca sanguínea que representa um papel importante no sistema imunológico, sendo encontrados em pequenas quantidades no sangue e no intestino, mas não costumam ser encontrados no esôfago.

Os eosinófilos ajudam a combater certos tipos de infecção, tais como as causadas por parasitas, e são um dos tipos de célula envolvidos em reações alérgicas.

Os eosinófilos podem causar danos quando aparecem em grande número em outras regiões além do sangue ou do intestino, como por exemplo: em pessoas com alergias sazonais, os eosinófilos são encontrados no nariz; em pessoas com asma, eles são encontrados no pulmão; e em pessoas com EEo, eles são encontrados no esôfago.

A EEo é um distúrbio relativamente incomum, apesar de ter havido um aumento na frequência de casos de EEo em crianças nos últimos anos, entretanto, a EEo afeta pessoas de todas as idades e raças, e de ambos os sexos.

A causa exata da EE não está clara, mas é provável que exista uma ligação entre as alergias e a EEo. O alergeno pode ser alimentar ou ambiental (aero-alergenos). Cerca de 60% dos pacientes com EEo possuem um histórico pessoal de alergia, como renite alérgica, asma ou eczema, e entre 20% e 40% dos pacientes com EEo possuem um histórico familiar de atopia.

Os sintomas de EEo podem variar segundo a idade do paciente. A apresentação clínica da EEo pode ser confundida com DRGE, especialmente nas crianças menores. Os bebês podem apresentar vômito, irritabilidade e pouco ganho de peso. Nas crianças maiores e nos adolescentes, dificuldade para engolir e obstrução dos alimentos, ou pressionamento do esôfago, podem ser sintomas mais comuns. Outros sintomas podem incluir: refluxos que não respondam às terapias médicas convencionais, náusea, vômito, dor abdominal ou torácica, pouco apetite e dificuldade para dormir.

Para se obter o diagnóstico de EEo, é necessário que uma endoscopia alta com biópsias seja realizada. A aparência do esôfago em casos de EEo é muito característica. O esôfago parece enrugado, ou sulcado e anelado, e coberto com material esbranquiçado ou secreção. Entretanto, o esôfago pode ter uma aparência normal. A regra mais importante para diagnósticos de EEo é o exame sob o microscópio de biópsias (pequenas amostras de tecido) colhidas na endoscopia alta.

A causa da EEo não pode ser determinada apenas pela biópsia. Após o diagnóstico da EEo, seu gastroenterologista pode enviá-lo a um alergista para a realização de exames alérgicos. Os exames alérgicos incluem um teste cutâneo de punctura (introdução de pequenas quantidades de alergenos alimentares e ambientais na pele) e um exame RAST (usado para confirmar reações imediatas a alimentos específicos).

O tratamento pode ser realizado com dieta, medicação ou ambos.

Dieta:

Se um ou mais alimentos específicos (alergenos) são detectados por exames alérgicos, a sua remoção da dieta pode resolver o problema. Entre os alimentos mais comuns a serem considerados estão: leite, ovos, amendoim, soja, trigo, nozes, peixe e frutos do mar. Entretanto, em muitos pacientes, especialmente em crianças maiores e adultos, nenhum alergeno específico é encontrado. Neste grupo de pacientes, pode ser utilizada uma dieta de eliminação na qual todas as fontes de proteína são removidas da dieta e apenas uma fórmula baseada em aminoácidos (blocos de construção da proteína) é permitida. Esta dieta permite açúcares simples, sais e óleos.

Quando o paciente está livre dos sintomas, pode iniciar um desafio alimentar no qual um alimento novo é reintroduzido a cada período de entre 4 e 7 dias. O desafio alimentar ajuda a identificar o(s) alimento(s) responsável(responsáveis) e é a base do tratamento a longo prazo com dieta. É importante trabalhar com uma nutricionista.

Tratamento com medicação:

Seu médico pode recomendar o uso de medicamentos. Até hoje, nenhum medicamento foi aprovado especificamente para o tratamento da EEo; entretanto, há evidências de que os corticosteróides podem trazer benefícios. Os corticosteróides podem ser tomados topicamente (engolidos com a ajuda de um inalador para asma) ou por via oral.

Corticosteróides tópicos: O propionato de fluticasona e a beclometasona são utilizados em várias dosagens, duas vezes ao dia, de acordo com a idade. A medicação é engolida e não inalada. As candidíases orais e esofágicas são os principais efeitos colaterais.

O uso de corticosteróides sistêmicos (prednisona) pode ser necessário. Os pacientes costumam apresentar melhora em entre 1 e 2 semanas. Seu médico analisará com você as dosagens e a frequência da medicação, assim como os efeitos colaterais.

Pacientes com EEo podem exigir endoscopias adicionais com biópsias para avaliar como o esôfago está respondendo ao tratamento.

Complicações:

Deficiência no crescimento;

Estenoses esofágicas.


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Lembrete importante: Este é apenas um boletim informativo e tem o objetivo de oferecer informações gerais apenas, e não de servir como uma base definitiva para o diagnóstico ou tratamento de qualquer caso específico. É muito importante que você consulte o seu médico sobre o seu caso específico.

CONCLUSÃO:

1. A EEo é uma doença causada por infiltração eosinofílica exclusivamente da mucosa esofagiana, apresentando-se no adulto com disfagia e impactação de alimentos e nas crianças com sintomas semelhantes à DRGE.

2. Os estudos sugerem etiologia alérgica.

3. Consenso com relação aos critérios diagnósticos é extremamente necessário.

4. Nos pacientes adultos o corticosteróide tópico é a forma mais eficaz e conveniente de tratamento, podendo ser associado com a restrição dietética empírica.

5. Nas crianças as dietas restritivas são utilizadas com mais frequência, além da imunomodulação com corticosteróide tópico ou sistêmico.

6. A evolução da EEo pode apresentar complicações secundárias à remodelação das paredes esofágicas, como a redução difusa do calibre do órgão e estenoses.

7. O tratamento de manutenção e sua história natural, a longo prazo, estão ainda por ser determinados e noivas drogas e estratégias de tratamento são aguardadas.

8. Como a EEo é responsável por custos significativos relacionados à saúde, será fundamental avaliar os melhores critérios diagnósticos, a modalidade diagnóstica menos invasiva para avaliação da atividade da doença e as melhores estratégias de tratamento, com ênfase no desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas fáceis de usar e de baixo custo. A colaboração entre profissionais de saúde e pesquisadores é crucial para atender às necessidades clínicas dos pacientes.

Antes de engolir a dose de corticosteróide tópico – Spray, leia atentamente as instruções abaixo:

1. Mantenha o inalador distante da boca.

2. Inspire o máximo que puder.

3. Coloque o bocal do inalador nos lábios.

4. Puxe para dentro da cavidade bucal o mais uniforme e profundamente possível.

5. Retire o inalador da boca.

6. Prenda a respiração e engula a seco cerca de 3 vezes.

7. Expire lentamente.

8. Enxaguar a boca com água e dispensar (não engolir) após a administração com o objetivo de se evitar o desenvolvimento de candidíase oral, uma complicação do tratamento.

9. Não ingerir líquidos ou alimentos por 30-60 minutos após a aplicação da dose.

Para todos os corticosteróides tópicos, a sua administração deve ser realizada após as refeições e os pacientes não devem deglutir ou beber qualquer tipo de alimento por 30 a 60 minutos após a ingestão do medicamento.

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