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COLITE MICROSCÓPICA

Atualizado: 24 de Ago de 2020

“NÃO, NÃO SOMOS DEUSES, NEM SEMIDEUSES, NEM SANTOS.

A GENTE FAZ O QUE PODE, EMBORA NOSSA ALMA, QUE TEM O TOQUE DE DEUS, CONTINUE INTACTA!

APESAR DE TUDO FALHAMOS COMO POBRES BICHOS FRÁGEIS QUE SOMOS, TÃO VULNERÁVEIS, TÃO SEM DEFESA” – “Lygia Fagundes Telles”.





– DOENÇAS INFLAMATÓRIAS INTESTINAIS INESPECÍFICAS –

*** – COLITE MICROSCÓPICA – ***

A colite microscópica (CM) é definida como inflamação crônica do cólon, que se apresenta com quadro de diarréia profusa, sem sangue ou muco e se caracteriza por modificações histológicas em uma mucosa radiológica e endoscopicamente normal.

Trata-se de uma patologia que certamente já existia, porém sua descrição ocorreu mais recentemente, sendo o termo CM utilizado pela primeira vez em 1980.

A etiologia da CM é desconhecida. A associação com doenças autoimunes (tireoidite, doença celíaca, artrite) sugere a possibilidade de tratar-se de uma doença autoimune, como também há a possibilidade que a etiologia seja infecciosa ou associação com anti-inflamatórios não hormonais, com a ticlopidina, como uma reação a um antígeno alimentar, etc. As hipóteses, como visto, são várias.

A CM deve ser discutida na abordagem dos pacientes com diarréia. A duração do quadro também é considerada, pois é uma forma de se diferenciar a diarréia aguda (até 4 semanas) da diarréia crônica. As causas da diarréia aguda e crônica são diferentes assim como a abordagem clínica e endoscópica.

O sintoma característico da CM é a diarréia aquosa crônica ou intermitente, podendo ocorrer episódios noturnos. Não há repercussão sobre o estado geral e o exame físico não mostra dado positivo. Alguns pacientes podem ter dor abdominal e perda de peso, enquanto náusea e incontinência fecal ocorrem numa minoria. Febre alta, vômitos ou perda de sangue nas fezes sugerem outro diagnóstico.

Artralgias e várias condições autoimunes podem ocorrer simultaneamente em pacientes com CM.

Alguns pacientes podem apresentar elevação da velocidade de hemossedimentação e marcadores autoimunes positivos, como anticorpo antinuclear, sendo que, na maioria das vezes, os exames laboratoriais servem para excluir outras doenças. A colonoscopia com biopsias é de grande valor no diagnóstico, sendo o exame anatomopatológico fundamental para o diagnóstico da CM. Já o exame de calprotectina fecal, um marcador da inflamação intestinal, tem se mostrado um bom método tanto para a diferenciação entre quadros orgânicos dos funcionais, como também no acompanhamento da atividade inflamatória (controle da terapia instituída).

Deve-se também lembrar da possibilidade da associação entre CM e doença celíaca, pois mais de 1/3 dos pacientes com doença celíaca tem achados sugestivos de CM nas biopsias do cólon, enquanto 2 a 10% dos pacientes com CM tem alterações consistentes com doença celíaca nas biopsias do intestino delgado. Os testes sorológicos para doença celíaca podem também ser positivos em mais de 17% dos pacientes com CM. Dessa forma a doença celíaca deve ser considerada em pacientes com CM, especialmente naqueles refratários à terapia padrão.

Para o tratamento da CM os anti-inflamatórios não hormonais devem ser descontinuados, assim como o uso de cafeína, álcool e qualquer produto dietético. Na terapia inicial, especialmente para casos com sintomatologia leve a moderada, pode-se usar agentes antidiarreicos como a loperamida e atropina; se não houver sucesso com esses agentes o salicilato de bismuto pode ser utilizado. Recomenda-se um período de tratamento de 6 a 8 semanas, embora a duração adequada do tratamento ainda não esteja definida. Já para aqueles que apresentam recorrência precoce a terapia pode ser mantida por períodos maiores. A maioria dos pacientes cursa com períodos de exacerbação e melhora espontânea ou induzida pelos medicamentos.

Se o quadro de diarréia não melhora a próxima intervenção terapêutica inclui a sulfassalazina e a mesalazina.

Para os pacientes com CM refratária aos medicamentos anteriormente descritos, a corticoterapia está indicada; no entanto, antes dessa alternativa, o diagnóstico deve ser revisto e a existência de doença celíaca ou de infecção deve ser afastada.

A budesonida, um corticóide sintético, mostrou-se eficaz e superior ao placebo em pacientes com CC, sendo que outros corticosteróides também são eficazes na CM. No entanto, as taxas de recaída são altas após a interrupção do corticóide e alguns pacientes podem ficar dependentes e para esses pacientes a alternativa seria o uso de azatioprina ou mercaptopurina, embora a experiência clínica com esses agentes é limitada.

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